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South Brazil Treasure Hunters

Grupo de aventureiros em busca de relíquias e artefatos perdidos no espaço e no tempo.
"O casamento é a única aventura ao alcance dos covardes"
Voltaire
"Um pouco de aventura liberta a alma cativa do algoz cotidiano"
Clarice Lispector



Fontes para investigação

A ideia de procurar relíquias na região sul do Brasil surgiu a partir da verificação de que em sua irrefreável busca por ouro, prata e pedras preciosas, muitos exploradores europeus utilizaram esta região como porta de acesso ao continente (através da trilha do Peabiru, rio da prata etc.) ou como ponto de parada para as frotas.

Por aqui passaram joias de inestimável valor, muitas delas saqueadas dos tesouros dos incas no Peru. Mesmo em épocas não tão longínquas, o sul brasileiro abrigou fantásticas somas de ouro e prata, que se mantiveram nas mãos de jesuítas e governadores. A maior parte deste ouro foi levada para a Europa.

Alguns destes carregamentos, conforme consta em registros históricos, naufragaram em local próximo à ilha de Santa Catarina. Outras somas, no entanto, se perderam no continente, alvo de saques ou da ganância dos próprios jesuítas, que, conta-se, escondiam parte do ouro para sonegar o imposto cobrado pela matriz na Europa.


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Rota de saques, naufrágios e explorações

Em 28 de outubro de 1526 a nau capitânia Santa Maria de la Concepción, da expedição do Sebastião Caboto, naufragou na entrada da Barra Sul da Ilha de Santa Catarina. Ele se dirigia ao Rio da Prata, com o produto do saque de um galeão francês no Nordeste. O navegador teria passado pelo Estado para fazer uma parada antes de ir atrás do lendário tesouro dos Incas, descoberta atribuída a seu antecessor.

Este navegador espanhol era considerado um dos sucessores do italiano Américo Vespúcio (primeiro navegador a constatar que as recém-descobertas terras do Novo Mundo constituíam um continente e não parte da Ásia).
Alguns objetos esparsos datados dos séculos 16 e 17 já foram eventualmente encontrados nas praias próximas, confirmando a potencialidade arqueológica da área.

É fato comprovadíssimo que vivemos em uma região por onde milhares de artefatos de ouro, prata e pedras preciosas passaram, tanto por mar quanto por terra.

Foto: ONG Barra Sul



Trilha do Peabiru

A história do Caminho de Peabiru, cujo significado mais conhecido é Caminho de Grama Amassada, é uma rota muito antiga usada para ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico, passando por quatro países: Brasil (em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul), Bolívia, Peru e Paraguai.

Mais precisamente, este caminho liga a cidade de Cusco, no Peru, à antiga Capitania de São Vicente (São Paulo). E continua descendo até Palhoça no litoral catarinense. Segundo estudiosos, é o único caminho que liga os dois oceanos de ponta a ponta, não existindo ainda o caminho por ferrovias ou rodovias. O percurso total tem cerca de 5 mil quilômetros de extensão.

A teoria mais aceita para a construção desse caminho é a de expansão da civilização Inca em direção ao Atlântico. Esta teoria se baseia nos vários vestígios da cultura Inca, que encontramos ao longo do seu caminho. Mais tarde, na época da colonização, esse caminho foi usado para transportar pedras preciosas.



Fortalezas


Santa Catarina já teve 26 Fortificações de Defesa no século XVIII e o Rio Grande do Sul chegou a erguer 42, das quais sobram oito na Grande Florianópolis e uma em São Francisco do Sul e as ruínas de apenas duas no estado vizinho.

Em alguns momentos mais tensos na história das invasões e das disputas territoriais entre Portugal e Espanha, praticamente toda a população da antiga Desterro e do Rio Grande de São Pedro viveu protegido pelas Fortalezas. Examinando-se mapas demarcados dessa época, observa-se que se enfileiravam uma ao lado da outra, formando extensos cordões nas ilhotas e ao longo do litoral. O início dessas construções de defesa coincide com a própria data de fundação dos dois estados, tamanha foi sua importância no desenvolvimento dos povoados.



Ouro dos Jesuítas

A concepção de que existem tesouros incalculáveis da Companhia de Jesus escondidos em território brasileiro, tem sido motivo de fascínio e ambição à muitas dezenas de anos por parte da população urbana ou do meio rural brasileiro, e até mesmos para alguns exploradores e caçadores de tesouros europeus e norte americanos. Isto se deve principalmente porque os jesuítas mantinham constantes movimentos de imersões pelos sertões brasileiros que ainda se encontravam inexplorados pelo então “homem civilizado”.

Através das sesmarias de terras doadas aos mesmos pelo governo espanhol, começaram então os jesuítas a formar seus impérios de terras, índios e rebanhos de gado, o que lhes fornecia uma prosperidade inaudita com subsídios para a exploração das novas terras em busca de metais e pedras preciosas.

Em 1720, foram criadas no Brasil as Casas de Fundição - transformavam o ouro bruto ( pó ou pepita ) em barras já quintadas. Quando ocorre o esgtamento da exploração aurífera, o governo português fixa uma nova forma de arrecadar o quinto: 100 arrobas anuais de ouro por município. Alguns historiadores afirmam que os padres costumavam esconder grande parte do ouro dentro de estátuas ocas de santos, para não ter que enviar a Portugal. Muitas vezes o ouro era enterrado, e como aquela era uma época de muitos ataques de índios e conquistadores, é bastante possível que este ouro continua lá enterrado até hoje.


Estes são apenas alguns dos diversos vestígios de que nossa terra abriga fabulosos tesouros, perdidos por dezenas e até centenas de anos.

A informação é a base para o sucesso. Estamos estudando diversos livros, cartas e documentos da época da colonização, bem como os excelentes trabalhos de investigação realizados por grupos e por pesquisadores independentes.

Primeiro Homem Branco a Pisar no Império Inca Também Viveu em Palhoça


Texto: Mariana Cardoso

A história de Santa Catarina e de Palhoça ganharam um novo personagem no ano de 2004, já conhecido há muitos anos pelos países vizinhos da América do Sul. Através da minuciosa pesquisa da jornalista Rosana Bond, registrada na obra “A Saga de Aleixo Garcia – O descobridor do Império Inca”, o português Aleixo Garcia, nascido em 1419, passa agora a compor o cenário do descobrimento de diversas regiões. Em Palhoça, ele morou e conviveu com os índios guaranis cariós (ancestrais do grupo mbyás), aprendeu sua língua e costumes e percorreu caminhos jamais visitados por um homem branco. Aleixo Garcia foi um dos tripulantes de uma expedição composta por três embarcações e 60 marujos, que saiu da Espanha sob as ordens do então rei Fernando, com a árdua missão de encontrar uma passagem marítima para o Oriente através do Sul da América. Todos os marujos, inclusive Aleixo, partiram em 1515 sob o comando do piloto-mor da marinha da Espanha, Juan Diaz de Solís, que veio parar em Florianópolis, na então ilha denominada por seus habitantes indígenas da tribo cariós de “Meiembipe” e que oficialmente pertencia a Portugal desde 1494, devido ao Tratado de Tordesilhas. Em seguida, prosseguiram rumo ao sul, chegando ao Rio da Prata e parando em uma ilha da Argentina, onde Solís desceu do barco com alguns homens, sendo eles atacados, assados e comidos pelos índios daquela região. As embarcações, portanto, ficaram sem seu piloto-mor e partiram de volta pra casa, em 1516, na Espanha, sob o comando de novos homens. A embarcação onde estava Aleixo Garcia perdeu-se das duas restantes e naufragou no litoral catarinense talvez devido a uma tempestade.

Alguns autores defendem que eram 11 náufragos e que apenas nove sobreviveram. Durante sua pesquisa, a autora Rosana Bond registrou depoimentos do cacique da aldeia mbyá guarani, em Palhoça, Werá Tupã (Leonardo), que guarda muitos registros repassados pelos seus ancestrais do grupo cariós. Ele contou que os homens de Solís foram encontrados desmaiados numa praia hoje pertencente a Palhoça por dois guerreiros que tinham saído para pescar e o pajé decidiu salva-los. Aleixo Garcia conquistou a confiança e a admiração dos índios cariós. Ele viveu seis anos na Ilha, casou-se com uma índia carió, teve um filho (chamado Aleixo Garcia Filho) e, segundo a autora, tornou-se uma espécie de líder entre os índios locais. “Efetivamente, Aleixo Garcia e um grupo de indígenas cariós da costa da ilha de Meiembipe viriam a protagonizar uma das maiores epopéias do continente americano: chegar ao império dos incas, na cordilheira dos Andes, antes que qualquer homem branco ali pisasse” (Bond, 2004, p. 37). Tal revelação, segundo a autora, foi feita ao náufrago pelos índios no ano de 1521 ou 1522: “o que os cariós de Santa Catarina revelaram (...), era que, em suma, conheciam o El Dorado e o caminho para chegar até ele” (Idem, p. 57).

De acordo com as informações repassadas para autora pelo cacique Werá Tupã, os guaranis se espelhavam muito nos incas e queriam aprender com eles. Ele detalha: “Os guaranis iam lá (nos Andes) e às vezes até ajudavam os incas a fazer suas casas de pedra. Os guaranis traziam vários milhos de lá. O milho, você sabe, é uma coisa sagrada. Esses milhos a gente conserva até hoje. Os incas eram os seres perfeitos que os guaranis queriam alcançar” (Idem, p. 64). A terra dos incas, segundo os cariós, era a terra do sol, que possuía objetos que brilhavam (de prata e ouro), o povo usava roupas e tinha um rei de pele mais clara. O cacique contou também à autora que os guaranis ainda admiram Aleixo Garcia e que guardam a lembrança de sua convivência com ele, mesmo que tal relação tenha se dado há quase cinco séculos atrás. Ele revelou à Bond que os velhos ainda comentam sobre sua existência e que ouviram as histórias dos antigos: “Dizem que ele era uma pessoa que apareceu e que era uma pessoa iluminada por Tupã. Tinha o coração bom. Ele veio mandado (pelas divindades, pelos criadores ancestrais, pelos espíritos), com a missão de ajudar os guaranis, ensinar, porque sabia que no futuro iriam precisar. Eles ensinaram o Caminho (de Peabiru, que conduzia aos Andes) para ele, mas sabiam que não podiam ensinar o caminho para todo mundo. (...) Só levavam aqueles que estivessem preparados.

O Aleixo Garcia era branco e foi preparado para ir “, explicou o cacique. (Idem, p. 39). Por volta de 1521, Aleixo Garcia iniciou então sua expedição pelo caminho sagrado, chamado pelos índios de Peabiru, com extensão de três mil quilômetros, que levaria o grupo à Cordilheira dos Andes. O Peabiru atravessava terras do Brasil, Bolívia, Peru e Paraguai e, segundo a autora, por integrar a mitologia indígena, adquiriu um caráter religioso para portugueses e espanhóis. Com Aleixo Garcia seguiram outros quatro náufragos e uma multidão de índios cariós.Eles saíram pelo mar de Florianópolis, desembarcando na altura do rio Itapocu (hoje Barra Velha), seguindo o caminho por terra. Ao chegar nos Andes, Aleixo Garcia foi então o primeiro homem branco a vislumbrar o Potosi, a maior concentração de prata do mundo, já conhecido pelos incas que flagraram a presença do português, tendo ele que fugir do local com a grande quantidade de pessoas e de prata que o acompanhavam. Ele tinha pretensões de retornar ao império inca para rever e explorar suas riquezas. Mas, na viagem de volta pra casa, quando Aleixo montou acampamento no Paraguay (onde permaneceu durante alguns meses) ele foi misteriosamente morto e comido pelos índios em 1525, durante um ataque à noite. O acontecimento, segundo o livro, deu-se na atual cidade paraguaia de San Pedro de Ycuamandyju, num ponto que ficou conhecido como Garcia-Cué (em guarani, “o lugar onde cambaleou Garcia”) e que hoje é uma praça, chamada Garcia Ca’aguy (“o bosque de Garcia’), onde a população da localidade acredita que estejam enterrados seus restos mortais. Existem diferentes versões sobre quem matou Aleixo Garcia. Uma delas fala nos índios paiaguás como responsáveis, que cobiçavam as riquezas que Aleixo trazia em sua viagem. Outra, acusa ainda os próprios índios cariós. O filho de Aleixo, assim como outros três homens brancos que o acompanhavam, permaneceram vivos. “Tudo se perdeu. A vida do líder, a expedição e o tesouro. Esse final trágico de uma das mais fantásticas epopéias americanas não impediu, porém, que Aleixo Garcia viesse a ser reconhecido pela História do Paraguay, Bolívia, Argentina e Peru, como o primeiro e mais impetuoso explorador de todo continente sul-americano ”, conta a autora. (Idem, p. 135)


O tesouro de Aleixo Garcia perdido nas águas de Santa Catarina

Depois de desbravar o caminho sagrado e encontrar as riquezas do império inca, Aleixo Garcia enviou diversas vezes para a aldeia no Massiambú, via escravos indígenas, quilos de ouro e prata que havia trazido dos Andes, além de diversas cartas, provavelmente com descrições da viagem e apelos para envio de armamento, homens e mantimentos. Há suspeitas de que os amigos brancos de Aleixo que ficaram na atual Palhoça (Morro dos Cavalos) tenham entrado em contato com a Europa para pedir apoio. Uma expedição foi montada e enviada pelos portugueses, sob comando de Jorge Sedeño, para encontrar Aleixo Garcia. O capitão foi guiado provavelmente pelas informações repassadas por carta pelo próprio Aleixo e rapidamente encontrou o local do acampamento no Paraguay, percebendo indícios do combate. Ele e muitos dos seus soldados também foram mortos num ataque indígena. Uma nova tentativa, em 1524, levou o navegador Diego Garcia de Moguer a atracar na ilha de Santa Catarina e coletar informações com os demais náufragos. Ele retornou à Espanha, fechou acordo com a coroa e ganhou estrutura para a viagem. Enquanto Moguer se preparava para a aventura, outra embarcação do espanhol Rodrigo Acuña atracou na ilha de Meiembipe (acredita-se que próximo a Imbituba ou Garopaba) para recompor-se. Já desanimados com a demora de Moguer (já se passara um ano), os náufragos apostaram em outra tentativa: entregaram à Acuña amostras do tesouro e um relatório que deveriam ser repassados ao rei da Espanha.

Ao iniciar os preparativos para a viagem de retorno, o bote que levava o tesouro à embarcação de Rodrigo Acuña afundou, matando 15 homens. “Foi assim que a maior parte do último tesouro de Aleixo Garcia acabou sob as águas de Garopaba ou Imbituba”, conta Rosana Bond. E quando Moguer finalmente chegou a ilha de Meiembipe, os náufragos já haviam se deslocado para outras terras.

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